“Poucas pessoas sabem, mas o Brasil também mandou dinheiro para o Peru em 78, mas a grana não chegou até eles”
Por José Rodolfo Pereira
Dando continuidade ao especial em ritmo de Copa do Mundo com o jornalista Orlando Duarte, a segunda parte da entrevista exclusiva ao Jornalismo FC foca nas Seleções de 74 a 86. Perdeu a primeira parte? Basta acessar aqui.
Prestes a completar 80 anos no dia 18 de fevereiro, o jornalista Orlando Duarte, nascido na cidade de Rancharia, tem muitas histórias para contar sobre o esporte mais popular do mundo. Orlando cobriu as Copas do Mundo entre 1950 e 2006, ficando de fora apenas da última, em 2010, na África do Sul.
Nesta edição, uma grande revelação está na Copa de 78, disputado na Argentina, em que quando todos pensam que apenas os donos da casa subornou a seleção do Peru, porém, não foi bem assim. Orlando Duarte conta isso, e muito mais, em detalhes para você.
JFC: Na Copa de 1974, você acreditava que a Holanda poderia surpreender o Brasil?
Orlando Duarte: Eu vi o jogo entre Holanda e Uruguai. A partida terminou 2 a 0 para os holandeses, mas poderia ter sido 10 a 0. A Holanda tinha um estilo de jogo que surpreendia. Não era um time fantástico, mas tinha Cruyff, Neeskens, Rensenbrink, que eram bons jogadores. Eu cheguei a falar com o Zagallo e com o Parreira, porém, eles tinham que se preocupar também com a seleção. Então a escalação já foi errada e a tática do jogo também. Curiosamente essa seleção se formou basicamente durante o campeonato. O Rinus Michels, tecnico da Holanda, era muito criticado no país. Ninguém acreditava no trabalho dele. Aí na Copa, eles ficaram abismados com o que ele conseguiu fazer.
JFC: A Copa de 78, vencida pela Argentina, teve alguma espécie de compra de resultado?
Orlando Duarte: A Argentina ganhou da Hungria e da França praticamente auxiliada pelo árbitro. Pênaltis, gols anulados, etc. Como tinha uma vitória e uma derrota, com mais um resultado negativo ela estava fora do campeonato. A divisão de grupos também foi equivocada. O Brasil não deveria estar naquele grupo da Argentina, Peru e Polônia. A seleção brasileira não começou bem, mas foi crescendo. O Brasil ganhou de três da Polônia e do Peru. Porém, eu falei que não adiantava ganhar de três, mas sim, de cinco. E poderia ter ganhado e assim seriam 10 gols marcados nesses dois jogos. O time tinha que fazer gols e aí o Peru teria que tomar 10 gols da Argentina. Se isso acontecesse, dava para pedir a anulação do campeonato. O goleiro do Peru, Quiroga, era argentino e foram na casa da família dele e disseram: “Avisa o Quiroga que ele pode ficar tranquilo que ninguém vai fazer mal para ele”. Foi uma palhaçada.
JFC: E a seleção do Peru como reagiu?
Orlando Duarte: Olha, poucas pessoas sabem, mas o Brasil também mandou dinheiro para o Peru, mas para eles vencerem a Argentina. O dinheiro não chegou até eles, pois os peruanos estavam blindados na Argentina. Eles sofreram pressão política, e também deve ter dito dinheiro. Não do Peru, mas da Argentina. Os argentinos tinham um time bom, mas não para ganhar a Copa de 78. Ela poderia ter ganhado uns 30 campeonatos, mas não a final de 78.
JFC: Muitos dizem que a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982 é a que reuniu o maior número de jogadores de qualidade. Você concorda?
Orlando Duarte: Eu acho que a seleção de 58 tinha mais valor. O desequilíbrio é grande quando você tem cinco grandes jogadores e não tem 22 grandes atletas. Tinha um garoto chamado Pelé e outro Garrincha. Então, não tem como comparar.
JFC: Como aconteceu em 70, na Copa de 1986 que também foi disputada no México, houve novamente a receptivdade dos mexicanos. Como foi isso?
Orlando Duarte: Foi ótima. O dia que o México perdeu, o Brasil também perdeu e a tristeza foi total. O Brasil torcia pelo México e vice-versa.






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