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Por Renato Fugulin
Nesta sexta-feira (1) começa a 43ª edição da Copa América. Disputada desde 1916, jogaram a competição nomes como Maradona, Pelé, Hugo Sánchez, Zagallo, Zizinho, Marco Etcheverry, Sergio Livingstone e Enzo Francescoli. Confira abaixo a história do torneio de seleções mais antigo do mundo.
Surgimento do torneio e o primeiro campeão
Em 1916, o futebol era o esporte predileto na América do Sul. Aproveitando o crescimento da modalidade, a Argentina decidiu criar um torneio entre seleções do continente. O Ministério de Relações Exteriores do país convidou Brasil, Chile e Uruguai para disputar a competição, chamada na altura de Campeonato Sudamericano de Football.
As equipes jogaram entre si em um único grupo. O Uruguai, tendo vencido duas partidas e empatado outra – 4 a 0 contra o Chile, 2 a 1 contra o Brasil e 0 a 0 contra a Argentina -, se sagrou campeão do torneio.
Com o sucesso da competição, o dirigente uruguaio Héctor Rivadavia Gómez fundou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) em 9 de julho daquele ano. Assim, o Campeonato Sudamericano de Football passou a ser considerado oficial e tornou-se o mais antigo de seleções do mundo.
O troféu mais desejado do continente

O troféu Copa América foi levantado pela primeira vez pelo Uruguai, em 1917. Foto: http://www.ca2011.com
No ano seguinte, em Montevidéu, as mesmas seleções disputaram a segunda edição do Campeonato Sudamericano de Football. A competição foi disputada no Estádio Parque Pereira, construído para sediar o torneio. Desta vez, o vencedor passou a ter uma taça para levantar. O troféu Copa América foi comprado por 3.000 francos suíços pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina e doado à Conmebol. Mais uma vez, o Uruguai venceu a competição e se tornou bicampeão.
A primeira conquista do Brasil
O terceiro Campeonato Sudamericano de Football, originalmente marcado para 1918, foi adiado para o ano seguinte devido a uma epidemia de gripe que assolou o Rio de Janeiro, cidade encarregada de organizar a competição. Com o adiamento, o Estádio das Laranjeiras foi reformado a tempo e recebeu as partidas do torneio, novamente disputado pelas mesmas seis equipes.
O Brasil, que contava com Artur Friedenreich e Neco, disputou a final contra o Uruguai e venceu pelo placar mínimo. Depois de um empate no tempo regulamentar, Friedenreich marcou o único gol da partida já no segundo tempo da prorrogação e fez com que o Brasil vencesse o seu primeiro título internacional.
1959, o ano das duas Copas Américas
O Monumental de Nuñez recebeu a Copa América de 1959 entre março e abril, a primeira desse ano. Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Brasil, Peru e Paraguai disputaram a competição. O destaque era a Seleção Brasileira, campeã do mundo no ano anterior, que contava com Zagallo, Didi, Garrincha, Djalma Santos, Nilton Santos e Pelé. Esta foi a única Copa América disputada pelo Rei, da qual foi artilheiro com oito gols. No entanto, nem mesmo a equipe que conquistou o título mundial em 1958 superou a Argentina. No confronto final entre as duas equipes, a albiceleste jogava apenas para o empate para levantar a taça. A igualdade por 1 a 1 determinou que a Argentina se sagrasse campeã pela 12ª vez.
O Equador requistou à Conmebol que fosse realizada uma edição excepcional do torneio, tendo em vista a inauguração do Estádio Modelo, de Guayaquil. Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil foram convidados para disputar a segunda Copa América do ano. O Brasil foi o único país que não levou sua equipe principal. Ao invés disso, uma seleção de jogadores do estado de Pernambuco representou o país.
O Uruguai venceu três partidas e empatou uma, e conquistou o seu décimo título do torneio.
Pela primeira vez, as dez equipes da Conmebol disputam a Copa América
Em 1975, a Copa América não teve sede fixa pela primeira vez na história do torneio. Além disso, foi também a primeira ocasião em que participaram as dez seleções da Conmebol – Argentina, Brasil, Equador, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Peru, Chile e Paraguai. No entanto, dificuldades econômicas impediram que todas as equipes jogassem entre si. Assim sendo, nove equipes foram divididas em três grupos. O Uruguai, vencedor da edição anterior, em 1967, entrou na semifinal, disputada em duas partidas.
O Peru bateu o Brasil no Mineirão por 3 a 1 no jogo de ida e por 2 a 0 em Lima. O seu adversário na final foi a Colômbia, que se classificou para a decisão após vencer o Uruguai por 3 a 0 no primeiro confronto em Bogotá e ter perdido pelo placar mínimo em Montevidéu.
Na final, a equipe que vencesse duas partidas seguidas levaria a taça. Em caso de dois empates, seria disputado um jogo adicional em campo neutro. E foi exatamente o que aconteceu entre as duas seleções. Em 16 de outubro, a Colômbia recebeu o time peruano em Bogotá e venceu por 1 a 0. Seis dias depois, o Peru bateu os colombianos por 2 a 0. No jogo decisivo, disputado em Caracas, na Venezuela, Hugo Sotil, jogador peruano do Barcelona, fez o único gol da partida aos 25 minutos do primeiro tempo e o Peru conquistou o bicampeonato da Copa América. A primeira vez que os peruanos levantaram o troféu havia sido em 1939.

Time peruano que disputou a Copa América de 1975. Foto: http://www.ca2011.com
Os primeiros convidados
Em 1993, a Conmebol convidou as seleções do México e dos Estados Unidos, membros da Concacaf, para disputar a 36ª edição da Copa América, realizada no Equador. Assim, 12 equipes foram divididas em três grupos, nos quais as duas primeiras colocadas se classificariam para a fase eliminatória (com exceção do Grupo C, em que chegariam à fase seguinte os três primeiros classificados) – quartas de final, semifinal e final, todas em jogo único.
O México, do atacante Hugo Sánchez, chegou à final contra a favorita Argentina, que contava com Gabriel Batistuta, Fernando Redondo, Oscar Ruggeri e Diego Simeone. Os “hermanos” confirmaram o favoritismo e bateram os mexicanos por 2 a 1 com dois gols de Batistuta. Galindo descontou para o México. A Argentina venceu a sua 14ª Copa América e se tornou a maior vencedora da competição desde 1916.
Há quatro anos atrás

Daniel Alves comemora o seu gol, o terceiro do Brasil na final de 2007. Foto: AP
A última edição da Copa América foi disputada na Venezuela, em 2007. Depois de uma participação bastante constestada do Brasil na Copa do Mundo de 2006, a “canarinha” chegou à final do torneio sul-americano depois de eliminar o Uruguai por 5 a 4 nos pênaltis, após um empate de 2 a 2 no tempo regulamentar. Na decisão, o Brasil jogou contra a Argentina. A albiceleste era considerada favorita, uma vez que havia vencido todos os jogos sem grande dificuldade, marcando 16 gols e sofrendo apenas três no processo.
No entanto, tal como na edição de 2004, o Brasil levou a melhor. Uma vitória por 3 a 0 com gols de Júlio Baptista, Ayala (contra) e Daniel Alves garantiu o oitavo título brasileiro na Copa América.
Campeões da Copa América
Desde a sua criação em 1916, a Copa América teve sete campeões diferentes. Confira abaixo quais foram:
Argentina – 38 participações, 14 títulos (1921, 1925, 1927, 1929, 1936, 1941, 1945, 1946, 1947, 1955, 1957, 1959, 1991 e 1993)
Uruguai – 40 participações, 14 títulos (1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1926, 1935, 1942, 1956, 1959 [edição de dezembro], 1967, 1983, 1987 e 1995)
Brasil – 32 participações, 8 títulos (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007)
Peru – 28 participações, 2 títulos (1939 e 1975)
Paraguai – 33 participações, 2 titulos (1953 e 1979)
Bolívia – 23 participações, 1 título (1963)
Colômbia – 19 participações, 1 título (2001)
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