Categorias de base: “Trabalho a longo prazo”?

24 01 2012

Por Jean Patrick e Luiz Queiroga

Já se foi o tempo em que os investimentos nas categorias de base eram escassos. Os tempos mudaram. E como mudaram. Hoje em dia os clubes investem pesado na formação de novos atletas. Afinal de contas, os dirigentes dos clubes brasileiros esperam capacitar os jogadores de base para serem utilizados entre os profissionais. Ok, nós conhecemos todo o roteiro dessa história, mas o que realmente é feito?

O Jornalismo FC consultou comentaristas esportivos para avaliar o tema e elaborou uma série especial sobre formação dos novos atletas, profissionalismo, planejamento, empresários e cobrança por resultados.

O discurso dos clubes brasileiros é praticamente uniforme: apesar de todo o investimento no desenvolvimento das categorias de base, os resultados são esperados apenas a longo prazo. Será mesmo? Será que os dirigentes dos clubes brasileiros, comissão técnica e torcedores não esperam (“exigem”) um retorno imediato do investimento?

Após o São Paulo ser eliminado na primeira fase da Copa São Paulo, o treinador da equipe júnior do tricolor, Zé Sérgio, em entrevista publicada no Portal Terra, questionou os motivos dessa eliminação:

“O São Paulo oferece demais e cobra pouco. São coisas que ninguém oferece. E eles dão muito pouco ao São Paulo. Não dão o retorno necessário. A vitória é importante na formação”, disse o treinador. Emerson Leão, treinador da equipe principal, mandou recado à base por meio da imprensa: “é bom os garotos valorizarem o que tem à disposição”.

Além do clube paulista, Vasco da Gama e Atlético-MG não passaram da primeira fase da Copa São Paulo. Perguntamos ao Frederico Jota, jornalista colaborador da revista Placar, por que o trabalho desenvolvido por esses clubes não deu resultado nessa competição?

“O foco do trabalho desses clubes nunca pode ser uma única competição, quando enfrentam, especialmente na Copa SP, times formados para um torneio em especial”. De acordo com ele, os três clubes citados devem focar o trabalho a longo prazo e não podem ser qualificados por uma ou outra eliminação específica. “Acho que a eliminação, mesmo prematura, faz parte do trabalho desses clubes, que devem ser avaliados por toda uma temporada e não apenas por três jogos”.

O jornalista Mário Marra, comentarista da Rádio CBN, comentou essas desclassificações e apontou uma falha no processo de formação dos atletas: “Temos a tendência de cobrar títulos das categorias de base e não é por aí. Entretanto, não se classificar (nem para a segunda fase) pode indicar erro na preparação ou na escolha dos atletas. Em alguns casos pode acontecer de os meninos se sentirem pressionados e não se mostrarem fortes para superar. Em casos assim, uma desclassificação pode fazer muito bem no amadurecimento dos atletas. O clube é que tem que saber trabalhar os jogadores após a frustração”, disse.

O ex-jogador Ronaldo comentou (em sua conta no Twitter) sobre os clubes que baseiam o trabalho na conquista da Copa São Paulo: “Cada vez que um time grande baseia seu trabalho de base em ganhar a Copinha…ele comete um crime contra a formação de jogadores”, disse Ronaldo. “O Santos, por exemplo, não ganha a Copinha deste de 84 e revelou Diego, Robinho, Neymar, Ganso, entre outros”.

Para finalizar, o ex-atacante da seleção brasileira lançou um questionamento: “Você trocaria o ideal de revelar jogadores por ganhar um torneio de 20 dias”???


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Uma resposta

9 03 2012
Silmei Petiz

Com todo respeito a quem escreveu a matéria, existe uma questão que precisa ser dita: os jogadores que disputam a Copa São Paulo, principalmente aqueles que integram os grandes clubes brasileiros, do ponto de vista do futebol profissional, já não são mais base, a maioria deles já possui contrato (assinado aos 16 anos). Alguns já treinaram ou até mesmo jogaram no profssional. Nesse sentido, considero que a cobrança é natural, afinal, são os últimos passos antes de assumirem, ou não, a posição de protagonistas nos profissionais. Assim sendo, porque não exploraram o assunto verificando o assunto nos sub10, sub11, etc. Dai sim me parece que faria sentido a discussão sobre o futebol visto a longo prazo! A prioridade dada a atletas maturados fisicamente, uso do populares gatos, treinadores demitidos por perder são questões que pontuam o assunto…

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