Categorias de base: Lições do Barcelona

24 01 2012

Por que os clubes brasileiros utilizam poucos atletas das categorias de base no time principal?

Por Jean Patrick e Luiz Queiroga

Barcelona x Santos. Mundial de Clubes 2011. Foto: Shaun Boterill/FIFA

O Jornalismo FC consultou comentaristas esportivos para avaliar o tema e elaborou uma série especial sobre formação dos novos atletas, profissionalismo, planejamento, empresários e cobrança por resultados.

Após conquistar o título do Mundial de Clubes da Fifa, o técnico Josep Guardiola exaltou o planejamento das categorias de base do Barcelona: “Nós formamos nossos jogadores, quase todos custaram zero euro. Jogamos com nove jogadores formados no clube”, disse o treinador.

Por que o modelo adotado pelo Barcelona se tornou o exemplo a ser seguido no futebol mundial?

O presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, em entrevista publicada na revista Veja, quer copiar o modelo do Barcelona. Para o dirigente santista, o clube catalão é o exemplo a ser seguido no futebol, para formar gerações vencedoras. “No Brasil, nós nos acostumamos a ter o artista principal do circo, e não pode ser assim. Perdemos a identidade do jogo coletivo. O futebol é coletivo e não de talentos individuais. É por essa razão que vamos promover uma reformulação na base. As revelações têm de subir quase preparadas para brilhar no profissional”, ressaltou o dirigente.

Paulo Vinicius Coelho (PVC), jornalista e comentarista da ESPN, alega que ficou uma lição da derrota do Santos para o Barcelona: “a cobrança nas divisões de base não deve ser por resultados em campeonatos, tem de ser por resultados em relação ao número de jogadores utilizados em cima (o time profissional)”, disse.

Durante o Footecon (Fórum Internacional de Futebol), o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, admitiu invejar o trabalho de base do clube catalão: “Tenho que admitir uma certa inveja do Barcelona. Eles conseguem dar continuidade em um trabalho de base sem que o mesmo seja influenciado por pressões de resultados. Aqui no Brasil, infelizmente, não aceitam um trabalho sem resultado imediato e isso prejudica demais o processo. Perdemos alguns valores por conta disso”, criticou o treinador.


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