O material será doado à alguns artesãos de várias regiões de Minas Gerais
Por Diogo Arraes
Nesta segunda-feira, dia 19, artesãos do interior do estado de Minas Gerais receberam o primeiro lote de madeiras provenientes do estádio do Mineirão. Três artistas da região de Campo das Vertentes, dois de Prados e um de Tiradentes foram agraciados com 26 metros cúbicos de material lenhoso para a produção de obras de arte e móveis.
A iniciativa faz parte do plano de controle ambiental das obras de modernização do estádio, que permite a doação de madeira produzida com a supressão de árvores ao Instituto Centro Cape (Centro de Apoio e Capacitação ao Empreendedor). O projeto paisagístico da nova arena inclui a construção de uma esplanada externa dedicada ao lazer, com capacidade de alocar 65 mil pessoas. De acordo com o secretário extraordinário da Copa, Sérgio Barroso, eles estão fornecendo matéria-prima aos artesãos mineiros, além de dar destinação inteligente e ambientalmente sustentável ao material.
A responsável pelo Instituto Centro Cape, Tânia Machado, destaca o benefício gerado com a medida. “Para o artesão, é uma coisa fantástica porque ele vai ter uma madeira legalizada, que é a grande dificuldade hoje para eles, que têm dificuldades de exportar seus trabalhos, por exemplo. Além disso, a gente consegue aprisionar o carbono através de uma peça de arte, evitando que a madeira vire carvão”, disse. Cerca de 200 artesãos serão beneficiados com as doações.

O artesão Melchior Silva de Prados. Foto:Sylvio Coutinho/Divulgação.
O artista Melchior da Consolação Silva, de Prados, acha que o material será muito interessante para o seu trabalho. “Meu principal produto é a galinha d’Angola. Faço umas 150 peças por mês. Com a madeira nova, vou economizar bastante dinheiro. O bom de tudo é ter um produto legalizado. Só daqui a um mês terei uma peça feita com a madeira do Mineirão”, afirma o artesão.
O plano de controle ambiental das obras de modernização do estádio contempla o plantio de aproximadamente 3.500 árvores na região da Pampulha. Esse número é resultado da equação entre as 1.043 espécimes da lista de supressão e as medidas de redução de impacto ambiental do projeto, que prevê a construção de uma esplanada. Esse novo espaço de lazer de 80 mil m2 vai circundar todo o estádio. Está inserido dentro do projeto paisagístico da nova arena, no qual se baseou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para a emissão da autorização do corte, além do Plano de Transplantio e da destinação que será dada a todo resíduo lenhoso. “A medida agrega valor ao material, além de dar uso nobre ao resíduo”, diz Vinícius Lott, gerente do Projeto Sustentabilidade na Copa, da Secopa.
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